domingo, setembro 26, 2004
sexta-feira, setembro 24, 2004
E depois perguntam-me porque não gosto dos jogos paralímpicos. É suposto estimar algo que para a pluralidade das pessoas nem sequer chega a desporto, mas uma tentativa apenas de pobres miseráveis se sentirem melhor com a vida que têm? Quem terá inventado a genial expressão de estes são os jogos “onde participar é mais importante que vencer”? E a de que eles são “os verdadeiros heróis”? Maior racismo existente em relação a pessoas com deficiência é o da extrema condescendência para com eles e suas atitudes, o olhar de cima que as pessoas ditas “normais” lhes dão. Surpresa ou não, a maior parte de portadores de qualquer tipo de anormalidade não gostam da forma como são encarados e tratados pela sociedade. Sejamos honestos, alguém apreciaria ir na rua e ler nos olhos das pessoas uma expressão de pena e “olha o coitado”? Não. É por isso que odeio a forma como são vistas estas competições. Mas pensam que os atletas paralímpicos não dão tudo, tal como os olímpicos, pela medalha de ouro? Um cubano utilizou substâncias proibidas. Mas porventura melhor seria ficar com a medalha de ouro pois já sofreu muito. Se quando nos 100 ou 110 metros barreiras, agora não sei, as pessoas até acharam piada à queda de uma atleta que acaba por empurrar outra sem culpa nenhuma, já quando as cadeiras de rodas viram durante as provas todos olham para o azar sem ponta de risada. Mas eles são como nós. E é isso que ninguém consegue ver. As pessoas não se esgotam na limitação e mantenham a sua vida até muitos vezes melhor do que levamos as nossas. Vamos acabar com este espectro e dignificar o ser humano, a pé ou de cadeira de rodas, em toda a sua dimensão e respeitá-lo como ser independente que não precisa de ajudas de terceiros.
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terça-feira, setembro 21, 2004
Às vezes apercebo-me...
...que afinal a guerra não tem música de fundo e que não é o espectáculo das 8 da noite com tons líricos que nos entra casa dentro e é real e miserável provoca mortes e vítimas que para a maioria não passo de um número instalados num ultímo andar confortáveis e a proferir muito bem a foto não é bonita eu não gosto provavelmente vocês também não mas mulheres assim existem eu também gosto de pensar que não que a guerra melhora a situação dos povos que a maior perda da guerra iraquiana foram os tesouros da Mesopotâmia quais mulheres curdas massacradas mas que tipo de palhaço é capaz de dizer isso e que afinal durmo de menos os outros é que estão acordados tempo de mais mas para quê se nada muda pelo menos sonhos meus sem miséria nem inocentes a sofrer deixem-me dormir
segunda-feira, setembro 20, 2004
domingo, setembro 19, 2004
Francisco, o grande
Em geral desprezo a “raça” política – engraçado que faz de mim racista, e eu que menosprezo a intolerância – pela forma banalizada e naturalidade com que mentem, logram, roubam e parecem distantes do povo. Havendo sempre excepções à regra, admiro Francisco Louça. Não conheço pessoalmente, não sei que faria se lá estivesse, reconhece-lhe alguns excessos de protagonismo pontuais e ideias um tudo-nada descabidas. Falo, no entanto, de uma pessoa extremamente inteligente e que acima de tudo é diferente, é genuíno. E disso eu gosto.
Estava uma altura a assistir a um debate sobre a intervenção militar no Iraque e existência ou não de armas que justificassem o apoio português. Insistindo Louçã na sua inexistência, contrapôs o convidado de direita com base nas garantias de Zé Manuel Barroso, – na altura ainda primeiro-ministro – que supostamente as teria visualizado. E pensando ter descoberto maneira de encurralar o bloquista, perguntou-lhe se estaria por acaso a insinuar que o primeiro-ministro mentia. Como se a prática habitual não fosse essa. “Bom, ficou-se pelas ideias Louça, não há tomates para chamar mentiroso a tal figura de estado”, pensei eu. Enganei-me e ainda bem. Parecendo inicialmente surpreendido, recompôs-se e, qual Humberto Delgado, diz só isto: “Mas obviamente que sim.” Merece respeito. Se fosse boxe seria um K.O. a Cassius Clay. Veio a confirmar-se estar certo. Mas ninguém pagou pelo “erro”.
sexta-feira, setembro 17, 2004
Zé Maria
Parece que o Zé Maria se tentou suicidar, ou ia dar uma mija da ponte e ficou surpreendido por não poder, se não isso parecido. Fez-me pensar. Há algo de errado nas “tentativas de suicídio”. Tentativas? Uma tudo bem, duas vai que não vai, mas três e mais, por favor. É o mesmo que proferir “desceu para baixo”, ou “ é meia-noite em ponto faltam cinco minutos”. Não faz sentido. Se eu me quisesse matar, matava-me. Ponto final. Que raio de pessoas são as que nem para morrer têm jeito. De um certo ângulo, até é uma falta de respeito. Quer dizer, tantas pessoas querem viver e enfiam um pé num buraco, rebolam, dão o pino, batem de cabeça, passa um carro e zás e às que não querem nada.
quinta-feira, setembro 16, 2004
O Evangelho Segundo Miguel Sousa Tavares
Escreveu assim Miguel Sousa Tavares (MST) na sua crónica de Sexta-feira no Público: “Finalmente, alguém no mundo islâmico pôs a mão na consciência e ousou dizer a terrível verdade: ‘Todos os terroristas do mundo são muçulmanos.” Até aqui, embora a afirmação não seja verdadeira, tudo bem. Mas continua: “…à constatação de facto acrescenta (…) a condenação moral da sociedade islâmica de hoje: ´ Os nossos filhos terroristas são o produto final da nossa cultura corrompida ’.” Diz ainda só isto: “Nós temos razão e eles não”
O resto é constituído por lugares-comuns, tudo muito debatido, o Corão isto, o islamismo aquilo, um cheirinho a lábia, previsível e aborrecido, mas a página é dele e tem que a atulhar com qualquer coisa. Tudo muito bonito, mas MST comete um erro frequente: julga os outros pelos seus próprios valores.
Ora bem, não tenho mais paciência para palhaçadas ideológicas, políticas e muito menos religiosas. E acho que os leitores também não. Vou ser directo e analisar o problema do ponto de vista humano. Obviamente que a espécie de Democracia em que vivemos está muito mais avançada que em certos países Muçulmanos. Mas só esse facto não confere ao Ocidente e particularmente aos E.U.A. o epíteto de “justiceiros do mundo”. Eu não consigo catalogar um acto em que meia dúzias de indivíduos se infiltram num avião e arriscam a vida por uma causa em que realmente acreditam, ou o contrário acontecesse não davam a sua vida, de terrorismo, e ver a destruição de Bagdad, através de bombas lançadas por navios de guerra e sem pôr em perigo ninguém, por ordem de meia dúzia de pessoas, sobre as quais ainda não inventaram injúria ao seu nível, sentadas confortavelmente a contemplar as suas contas bancárias crescer, sob o disfarce de guerra justificada, ou como está na moda, preventiva. É terrorismo e bem pior. Para além do mais, os abusos constantes do Ocidente são a principal razão que leva à tal “corrupção da cultura islâmica” e ao engrossar das filas da Al-Qaeda. O contrário acontecesse, e talvez as pessoas não se virassem para a religião. Afinal, quem impôs um Ayatolah no Irão? Eu, pessoa equilibrada, não gostava de ter um fundamentalista islâmico, tal como Bush o é em relação ao cristianismo, a ditar regras no meu país, e nessa altura provável era eu pegar na arma e ir à luta. Quem está certo? Provavelmente ninguém e todos nós temos culpa, nesta história, podem ler de todas as maneiras, não existem inocentes.
domingo, setembro 12, 2004
O poder do olhar
Muitos – no contexto, é claro, das poucas visitas que o blog regista – dos leitores, ao constatarem o fascínio que Maria Sharapova exerce sobre a minha pessoa, ter-se-ão debruçado sobre as suas causas e raízes. A esmagadora maioria terá mesmo exclamado um “Eureka” baseado na beleza da Siberiana. Para quem, legitimamente, assim pensa, só tenho uma palavra a dizer: errado.
A vida é madrasta, embora uns sejam filhos e outros enteados, e coloca-nos frequentemente muros difíceis de saltar e piscinas difíceis de nadar. Mentia se dissesse que melhor seria um mar de rosas, assim fosse, tornava-se insustentável aqui viver. No fim de contas, o que seria da felicidade sem a infelicidade? Ou valeria mesmo a pena a Armstrong subir os Pirinéus se fosse fácil? Se fosse fácil todos o faziam e lá ia a piada todo para o tecto. Cabe-nos a nós afiar a faca do mato ao nosso gosto e abrir caminho por entre a ramagem virgem. Não raras vezes todos nos enganamos no trajecto, e precisamos de uma chama que nos oriente, sempre subjectiva.
Isto para dizer que em períodos de crises todos nos prendermos psicologicamente a algo. Exemplo universal: a religião. Não há uma civilização que não possua uma. O objectivo de aqui estarmos, o porquê do acaso e da infelicidade, o que existe para além, um paraíso a esperar ou um inferno a temer, – que normalmente funciona como mais uma amarra nas liberdades – tudo questões a que a bíblia, ou o Corão, tanto faz, responde e satisfaz os crentes. A esperança que o Senhor tenha amanhã algo melhor reservado e a sua preocupação sem limites sobre cada um de nós aconchega muitos espíritos e fá-los acordar no dia seguinte com vontade de viver. Como disse um qualquer filósofo, “Se Deus não existisse tinha que ser inventado”. Invejo essas pessoas pois se assim eu fosse provavelmente aumentava minha qualidade de vida. Porém sou ateu e não consinto que Deus algum que nunca me foi apresentado guie por minha vez.
Posta de lado esta incrível saída pelo elementar facto de o meu raciocínio não compreender tais fenómenos, referências culturais foi o que de melhor se arranjou. Quando simplesmente venero um filme, livro, música e afins imagino-me nas situações criadas. A maior parte das vezes não se tratam de obras de arte, mas histórias que me preenchem. Tendências assustadoras possuíram-me nos momentos brilhantes em que Kevin Spacey (Beleza Americana) atirou o prato contra a parede, Xavier (Residência Espanhola) partiu para Barcelona, Bill Murray (Lost in Translation) pede mais um whisky no bar do hotel. Alguém terá lido ou visto a peça “O que diz Molero?” sem desejar uma vida como a do rapaz? Ou alguém ouve o “Something stupid” de Sinatra sem imaginar uma mulher ao lado?
No entanto todos estes tipos de arte pereciam do aspecto “realidade”, algo falhava. Referências humanas, embora as tivesse, como é o caso de Lobo Antunes, com o qual pensamento e experiências por vezes me identifico ou tento, não preenchiam nem metade de metade do vazio. Até à era D.S. – Depois de Sharapova. O seu surgimento na mais alta ribalta do ténis feminino mundial permitiu-me ficar ao corrente da sua existência e, desde o seu primeiro jogo em Wimbledon a que por coincidência assisti, acompanhar a carreira desportiva. O que inicialmente me chamou a atenção foi realmente a sua beleza mas, mais à frente, reparei num pormenor que todos os dias me acompanha e me faz acreditar: o olhar. È fantástico e só tenho a dor de não ter qualidade suficiente para o descrever. Transmite vontade, alegria, competitividade, amor e mais adjectivos para quê, se a própria simplicidade também lá está? Talvez a frase proferida por Jimmy quando primeiro viu Louise (Thelma e Louise), “Tens um belo par de olhos”, devesse permanecer religiosamente guardada e só deixada à solta num raio de 5 metros de Sharapova. Merecia. Ave-maria.
sábado, setembro 11, 2004
Chatice
Frequentemente sinto-me como um peixe fora de água, embora no meu próprio aquário. Um estrangeiro no meu país, cidade ou mesmo casa. Sendo uma pessoa relativamente socíavel e com facilidade de comunicação com pessoas de várias faixas etárias, credos e políticas durante muito tempo experienciei um vazio no meu ser por razões que me ultrapassavam. Embora rodeado de amigos (cada um interpreta a palavra como quer) a sensação de solidão constante era inapagável e dava comigo a conectar com pessoas mais distantes mas que curiosamente me faziam realmente rir e interessar-me pelo que fazem, querem fazer ou fizeram.
Depois de muito procurar o "santo graal" sem sucesso fui crescendo mentalmente e fisicamente, uma época da vida muitas vezes denominada por adolescência, e a verdadeira causa apareceu, qual D. Sebastião vindo do nevoeiro, clara como nunca à frente dos meus olhos, como se sempre lá estivesse mas talvez tão perto que não me permitia ver: estou rodeado de pessoas extremamente aborrecidas, chatas e vulgares.
Sem querer impôr a mim próprio o epíteto de "super-interessante", que não sou, simplsmente chega uma altura em que me põe os cabelos em pé ouvir falar mais uma vez de futebol, do casamento de uma "tia" qualquer da zona de Cascais, que nem sequer conheço, da vida alheia, da profissão entediante do vizinho, ou simplesmente de problemas relacionados com o círculo familiar ou de amizades que também me passam ao lado. É impressão minha, ou há todo um mundo á nossa volta cuja situação merece ser discutida, muitos filmes cuja qualidade deve ser debatida, livros com qualidade para serem falados à mesa do jantar ou de um café?
Quando Lobo Antunes, numa das suas geniais crónicas, afirmou "não ter inveja de ninguém", o que os seus amigos "tomavam por qualidade", mas considerava dever-se apensas ao "sentimento de estrangeiro incapaz de entender o dialecto local" entendi-o provavelmente como ninguém. Afinal, qual é a vantagem de ser alguém que até se importa e interessado noutros tipos de arte que não a de cuscuvilhar se apenas nos afasta das pessoais de quem a sociadade diz que mais devemos ( dá que pensar este dever) amar. Acho que vou fazer como o Homer Simpson e enfiar um lápis de cera no nariz para reduzir o meu Q.I. de forma a ser aceite e me integrar. Mas será mesmo este o futuro que queremos para os nossos filhos?
sexta-feira, setembro 10, 2004
Noite
Noite escura sem luar
Um acordar sem perceber
Sem esperança no ar
Surgiste a radiar
Nas entranhas da noite eterna
Para meu coração roubar
Talvez para o tratar
Talvez para o salvar
Há esperança a pairar
O que fui já esqueci
Mesmo sem te conhecer
Mesmo sem te perceber
vieste para me mudar
Quem sabe enlouquecer
Trocava o pouco que tenho
Por teu olhar aqui
Cresceu em mim um inexplicável sentimento de revolta e a minha primeira reacção foi pegar num livro dos que na casa de banho estão sempre à mão e esmagá-la de tal modo que fosse necessário uma espátula para de lá descolá-la. Aproveitando uma paragem da infeliz preparava-me já para aplicar a estocada final, braços ligeiramente flectidos para a direita ao nível dos ombros e, num ápice, apercebo-me que se tratava de um livro de Amalucada Solnado, "Falei com Jesus", ou se calhar "Jesus Cristo é bom companheiro", senão isso algo do género, e parei a meio o movimento. Esquizofrénicos há muitos, o que eu não gostava era de morrer a ler um livro de um. Como uma mosca não lê comparo uma morte dessas a uma por electrocussão anal num ser humano. A piedade faz parte da minha existência e limitei-me a abrir a janela.
P.s.: Cada um fala por sí, mas se alguém me tratasse por "cabrito" a nossa amizade não ia durar muito.
quarta-feira, setembro 08, 2004
Feminismo
Soem os tambores... o eleito de hoje é... um jurí dos ídolos cujo nome não me lembro nem me interessa. De vez em quando, muito longe a longe, confesso que me dá um certo gozo assistir ao desfilar de pseudocantores com a auto-estima profundamente elevado não sei por obra de que "espelho meu" mas definitivamente é de um desses que eu preciso, sobretudo quando cantam tão bem como uma vaca a parir. Não foi no entanto os danos irreparáveis no meu tímpano que me levaram a publicar este post, já que estou muito longe de ser um Sinatra propriamente dito.
O que na verdade me tirou do sério foi um dos habituais comentários infelizes e compreensíveis apenas tendo como pano de fundo a lógica das audiências feito por um elemento do júri, já que alguns chegam mesmo a pisar o risco do ataque pessoal e noutros casos cortam vorazmente o sonho de carreira de muitos "artistas". A certa altura entrou para proceder ao casting uma rapariga extremamente tímida e humilde mas possuídora de uma voz angelical que rapidamente encantou o júri. O tempo de espera feito pelos 4 "cowboys" e a insegurança da esperança a ídolo fizeram com que irrompesse num choro inconsolável enquanto esperava pelo veredicto final. Obviamente ganhou o seu lugar na próxima fase, mas talvez esse bilhete lhe tenha custado a própria dignidade como ser humano ao ter de ouvir o seguinte comentário: "Fica-te muito bem essa humildade". Se não deste modo parecido, quem quer saber.
O referido elemento, um homem com cabelo curto, magro e com quatro olhos a quem só falta os sapatos 54 e um nariz "à Vilarinho" para pareçer um verdeiro palhaço com lugar priveligiado em qualquer "Cardinalli" pelo mundo fora deve ser ainda um troglodíta a viver no tempo da pré-história. Embora não pertença a esse sexo, faço da luta pela igualdade feminina uma luta minha também e destroça-me ouvir pessoas como este senhor.
A emancipação das mulheres tem vindo a sofrer avanços progressivos, tanto no nosso país como na maior parte do mundo civilizado, mas a ideia de a mulher ser um ser frágil e a necessitar da ajuda masculina ainda está bem vincada, como comprovei ao constatar num estudo recentemente realizado que as mais bem sucedidas nas entrevistas de emprego são as que aparentam falta de confiança e não olhem o entrevistador nos olhos. Por muito que espante muita gente conservadora dos bons costumes, o direito à confiança, ao egoísmo, à ambição, ao querer, não se limita ao sexo masculina. Não consigo suportar, de tanto ver, mães que transmitem às suas filhas filosofias de soberania masculina, deitando por terra a coragem de muita e muitos anónimos que todos os dias esquecem parte das suas vidas para verem a sua filha crescer num mundo mais justo. Uma mulher que se preze, segundo o código de honra existente sei lá onde, fala baixo e é discreta, trata das tarefas domésticas enquanto o marido lê o jornal, embala os filhos, chega a casa mais cedo para tratar do "comer", anda de pernas entreabertas para gaudio dos homens, ouve os problemas do marido ao jantar sem no entanto ter opinião e está disponível a qualquer hora a que o desejo do homem se evidenciar.
É por tudo isto que a afirmação do "Sr. Cardinalli" é inadmissível, e eu gostava era de vê-la repetida a um homem, se houver moral para tanto. Só para finalizar quero também dizer que existe um tipo de homem obrigado a viver sobre o preconceito da humildade, que é o pobre, ignorante e inocente. Expoente máximo è Mantorras, avançado benfiquista a quem a humildade fica muito bem, pois parece que não pagou uma dívida a não sei quem e não merece a piedade também não sei de quem -o seu sucesso a si próprio o deve- se se puser em bicos de pés.
terça-feira, setembro 07, 2004
Cabeleireiros
segunda-feira, setembro 06, 2004
domingo, setembro 05, 2004
Sonsagem
1- Qual a melhor solução para a polémica do barco do aborto?
Sodomizar Paulo Portas - 55%
Eleger um Presidente a sério nas proximas presidenciais- 15%
Reformular o PP, acrescentando-lhe um P e formando o partido Papoilas Pró Povo- 13%
Morte ao Portas - 10%
Que barco? - 7%
2- Se Helena Sacadura Cabral soubesse os filhos que lhe iam calhar ter-se-ia dirigido a uma clínica de forma a realizar um aborto?
Sim - 25%
Não - 10%
Só o Paulo - 40%
Só o Miguel - 25%
3- Se um peixe estrangeiro defensor dos casamentos homossexuais entrar em águas territoriais portuguesas o que deve o governo fazer?
Enviar a marinha para pôr o peixe na ordem defendendo assim a soberania nacional - 60%
Declarar guerra à vida marítima - 30%
Comê-lo ao jantar - 10%
Esta sondagem "Galeria privada"/"Tv5" foi realizada entre os dias 2 e 4 de Setembro, sendo constituida por 200 chamadas telefónicas para a zona de Grande Lisboa. Na verdade foram 202, mas um era esquizofrénico e o outro era o Petit.
Aborto
Acho que sobre a organização pró-escolha "Women on waves" está tudo dito e debatido, desde a ilegalidade ou não que constituia a sua entrada em águas territoriais portuguesas, passando pela questão da colocação da marinha aos serviços das ideologias pessoais de um "ministro" (cada um chama-lhe o que quiser, eu por cá fico-me pelo imbecil) e acabando na liberdade individual de cada mulher e mesmo de um povo inteiro posta em causa sob os desígnios do patriotismo e da soberania, esqueçendo-se talvez muita gente que assim começou uma guerra mundial.
O ponto que quero abordar está relacionado com a posição da direito em relação ao aborto. Para melhor me fazer entender vou transcrever na íntegra um insulto à arte publicado na página do leitor do JN de Sábado:
O barco do aborto
A Portugal está a chegar
E sem respeito pela lei
Muitas vidas vai tirar
O aborto é um crime
Que não devemos permitir
Não matem as criancinhas
Deixem elas sorrir
Quem é a favor do aborto
Não deve querer entender
Que todas as criancinhas
Com amor devem nascer
Com a nossa voz firme
A este barco vamos gritar
Deitar tudo ao alto mar
O que o Sr. Manuel Ferreira defende, e servindo ele de exemplo, é o nascimento de uma criança nem que a sua mãe ganhe o ordenado mínimo e o pai esteja desempregado com 7 filhos para sustentar. Num país relativamente desenvolvido como o nosso, onde apesar de tudo ainda se vive folgadamente em muitos sectores da sociedade, não consinto que uma criança cresça em condições tão miseráveis por imposição de moradores de um qualquer 5º andar da zona "limpa" das cidades.
Em muitas casos, devido à pobreza a que estão submetidas, estas crianças tornam-se adultos problemáticos com cadastros dignos de um Al Capone, e é nestas alturas que surgem pessoas como este Sr. que se apressam a defender penas de prisão cada vez mais duras, pois este tipo de escória não merece sequer ar puro. Afinal, onde é que se escondeu o famoso "direito à vida"?



