Chatice
Há uma dura realidade que, se calhar por medo de ser acusado de insolência, ingratidão, mal-criação ou algo que valha nunca revelei a ninguém e, embora a esteja a escrever aqui em primeira-mão, continua no segredo dos deuses devido aos milagres dos pseudónimos.
Frequentemente sinto-me como um peixe fora de água, embora no meu próprio aquário. Um estrangeiro no meu país, cidade ou mesmo casa. Sendo uma pessoa relativamente socíavel e com facilidade de comunicação com pessoas de várias faixas etárias, credos e políticas durante muito tempo experienciei um vazio no meu ser por razões que me ultrapassavam. Embora rodeado de amigos (cada um interpreta a palavra como quer) a sensação de solidão constante era inapagável e dava comigo a conectar com pessoas mais distantes mas que curiosamente me faziam realmente rir e interessar-me pelo que fazem, querem fazer ou fizeram.
Depois de muito procurar o "santo graal" sem sucesso fui crescendo mentalmente e fisicamente, uma época da vida muitas vezes denominada por adolescência, e a verdadeira causa apareceu, qual D. Sebastião vindo do nevoeiro, clara como nunca à frente dos meus olhos, como se sempre lá estivesse mas talvez tão perto que não me permitia ver: estou rodeado de pessoas extremamente aborrecidas, chatas e vulgares.
Sem querer impôr a mim próprio o epíteto de "super-interessante", que não sou, simplsmente chega uma altura em que me põe os cabelos em pé ouvir falar mais uma vez de futebol, do casamento de uma "tia" qualquer da zona de Cascais, que nem sequer conheço, da vida alheia, da profissão entediante do vizinho, ou simplesmente de problemas relacionados com o círculo familiar ou de amizades que também me passam ao lado. É impressão minha, ou há todo um mundo á nossa volta cuja situação merece ser discutida, muitos filmes cuja qualidade deve ser debatida, livros com qualidade para serem falados à mesa do jantar ou de um café?
Quando Lobo Antunes, numa das suas geniais crónicas, afirmou "não ter inveja de ninguém", o que os seus amigos "tomavam por qualidade", mas considerava dever-se apensas ao "sentimento de estrangeiro incapaz de entender o dialecto local" entendi-o provavelmente como ninguém. Afinal, qual é a vantagem de ser alguém que até se importa e interessado noutros tipos de arte que não a de cuscuvilhar se apenas nos afasta das pessoais de quem a sociadade diz que mais devemos ( dá que pensar este dever) amar. Acho que vou fazer como o Homer Simpson e enfiar um lápis de cera no nariz para reduzir o meu Q.I. de forma a ser aceite e me integrar. Mas será mesmo este o futuro que queremos para os nossos filhos?
Frequentemente sinto-me como um peixe fora de água, embora no meu próprio aquário. Um estrangeiro no meu país, cidade ou mesmo casa. Sendo uma pessoa relativamente socíavel e com facilidade de comunicação com pessoas de várias faixas etárias, credos e políticas durante muito tempo experienciei um vazio no meu ser por razões que me ultrapassavam. Embora rodeado de amigos (cada um interpreta a palavra como quer) a sensação de solidão constante era inapagável e dava comigo a conectar com pessoas mais distantes mas que curiosamente me faziam realmente rir e interessar-me pelo que fazem, querem fazer ou fizeram.
Depois de muito procurar o "santo graal" sem sucesso fui crescendo mentalmente e fisicamente, uma época da vida muitas vezes denominada por adolescência, e a verdadeira causa apareceu, qual D. Sebastião vindo do nevoeiro, clara como nunca à frente dos meus olhos, como se sempre lá estivesse mas talvez tão perto que não me permitia ver: estou rodeado de pessoas extremamente aborrecidas, chatas e vulgares.
Sem querer impôr a mim próprio o epíteto de "super-interessante", que não sou, simplsmente chega uma altura em que me põe os cabelos em pé ouvir falar mais uma vez de futebol, do casamento de uma "tia" qualquer da zona de Cascais, que nem sequer conheço, da vida alheia, da profissão entediante do vizinho, ou simplesmente de problemas relacionados com o círculo familiar ou de amizades que também me passam ao lado. É impressão minha, ou há todo um mundo á nossa volta cuja situação merece ser discutida, muitos filmes cuja qualidade deve ser debatida, livros com qualidade para serem falados à mesa do jantar ou de um café?
Quando Lobo Antunes, numa das suas geniais crónicas, afirmou "não ter inveja de ninguém", o que os seus amigos "tomavam por qualidade", mas considerava dever-se apensas ao "sentimento de estrangeiro incapaz de entender o dialecto local" entendi-o provavelmente como ninguém. Afinal, qual é a vantagem de ser alguém que até se importa e interessado noutros tipos de arte que não a de cuscuvilhar se apenas nos afasta das pessoais de quem a sociadade diz que mais devemos ( dá que pensar este dever) amar. Acho que vou fazer como o Homer Simpson e enfiar um lápis de cera no nariz para reduzir o meu Q.I. de forma a ser aceite e me integrar. Mas será mesmo este o futuro que queremos para os nossos filhos?

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