E depois perguntam-me porque não gosto dos jogos paralímpicos. É suposto estimar algo que para a pluralidade das pessoas nem sequer chega a desporto, mas uma tentativa apenas de pobres miseráveis se sentirem melhor com a vida que têm? Quem terá inventado a genial expressão de estes são os jogos “onde participar é mais importante que vencer”? E a de que eles são “os verdadeiros heróis”? Maior racismo existente em relação a pessoas com deficiência é o da extrema condescendência para com eles e suas atitudes, o olhar de cima que as pessoas ditas “normais” lhes dão. Surpresa ou não, a maior parte de portadores de qualquer tipo de anormalidade não gostam da forma como são encarados e tratados pela sociedade. Sejamos honestos, alguém apreciaria ir na rua e ler nos olhos das pessoas uma expressão de pena e “olha o coitado”? Não. É por isso que odeio a forma como são vistas estas competições. Mas pensam que os atletas paralímpicos não dão tudo, tal como os olímpicos, pela medalha de ouro? Um cubano utilizou substâncias proibidas. Mas porventura melhor seria ficar com a medalha de ouro pois já sofreu muito. Se quando nos 100 ou 110 metros barreiras, agora não sei, as pessoas até acharam piada à queda de uma atleta que acaba por empurrar outra sem culpa nenhuma, já quando as cadeiras de rodas viram durante as provas todos olham para o azar sem ponta de risada. Mas eles são como nós. E é isso que ninguém consegue ver. As pessoas não se esgotam na limitação e mantenham a sua vida até muitos vezes melhor do que levamos as nossas. Vamos acabar com este espectro e dignificar o ser humano, a pé ou de cadeira de rodas, em toda a sua dimensão e respeitá-lo como ser independente que não precisa de ajudas de terceiros.

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