Francisco, o grande
Em geral desprezo a “raça” política – engraçado que faz de mim racista, e eu que menosprezo a intolerância – pela forma banalizada e naturalidade com que mentem, logram, roubam e parecem distantes do povo. Havendo sempre excepções à regra, admiro Francisco Louça. Não conheço pessoalmente, não sei que faria se lá estivesse, reconhece-lhe alguns excessos de protagonismo pontuais e ideias um tudo-nada descabidas. Falo, no entanto, de uma pessoa extremamente inteligente e que acima de tudo é diferente, é genuíno. E disso eu gosto.
Estava uma altura a assistir a um debate sobre a intervenção militar no Iraque e existência ou não de armas que justificassem o apoio português. Insistindo Louçã na sua inexistência, contrapôs o convidado de direita com base nas garantias de Zé Manuel Barroso, – na altura ainda primeiro-ministro – que supostamente as teria visualizado. E pensando ter descoberto maneira de encurralar o bloquista, perguntou-lhe se estaria por acaso a insinuar que o primeiro-ministro mentia. Como se a prática habitual não fosse essa. “Bom, ficou-se pelas ideias Louça, não há tomates para chamar mentiroso a tal figura de estado”, pensei eu. Enganei-me e ainda bem. Parecendo inicialmente surpreendido, recompôs-se e, qual Humberto Delgado, diz só isto: “Mas obviamente que sim.” Merece respeito. Se fosse boxe seria um K.O. a Cassius Clay. Veio a confirmar-se estar certo. Mas ninguém pagou pelo “erro”.

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