Days go by and still I think of you
"Mostre-me um homem que não seja escravo das suas paixões "
William Shakespeare
Às vezes não sei que sinto. Ou nunca sei bem o que sinto. Também não é importante. Afinal, o que é um sentimento, um pensamento no meio da indiferença? Ou um, dois, três? Sei que simplesmente não ultrapassa os limites do diâmetro entre as minhas orelhas. Porque muitas vezes não digo o que penso, ou quando digo o que penso os outros não percebem o que digo. Ou até não consigo exprimir-me com a clareza das águas extraídas nas lívidas nascentes. E por ironia, nem sei o que sinto, quanto mais transpirá-lo para fora. E ironia das ironias, é dos sentimentos que vivo. É deles que me alimento e bebo o néctar da vida, com a mesma voracidade com que um vampiro busca sangue. Toda a vida não passa de uma contradição, de uma série de acontecimentos aleatórios que mudam todo o seu seguimento sem que nada nem ninguém o impeça. Porque deveria o nosso cérebro trabalhar de outro modo que não o aleatório? Um sorriso a fugir, um esgar de dor, um salto de excitação, um grito de sofrimento, lágrimas de alegria, lágrimas de tristeza. Tudo num só. Tudo numa vida e tudo isto a vida. Tudo um caos. Inane a felicidade que desconhece a infelicidade, quantas as vezes as duas num segundo. É por isso que já não estranho pouco saber sobre mim próprio. Agora tu no chão e eu não sei sequer se vitória se derrota, se um abraço de aconchego ou um abraço de parabéns. Apenas uma imagem, um clarão envolto num turbilhão de muitos outros. Mas de novo não interessa. Do pouco que sei, isto é certo: tu sempre a lutares, tu sem desistires, tu sem parares até ao último segundo, tu com uma enorme vontade de vencer, tu a ganhares ou a perderes, nos dois casos de pé e com dignidade. Mais importante, tu de bem para contigo, tu a dormires a saber que mais só porque não deu. Não posso dizer o mesmo. Porque na salgalhada de emoções, sempre um receio, sempre um medo de ir, sempre a vontade a ceder. Hoje estou cansado. Amanhã, talvez no fundo da salada encontre um querer, novo e melhorado, confundido com um choro, trabalhado por ti. E talvez as noites mais bem passadas.

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