segunda-feira, dezembro 06, 2004


(Desculpem a qualidade mas foi o que se arranjou. Abram a imagem que fica visível)

Não é de hoje nem de ontem: nunca gostei de velhos do restelo, profetas da desgraça. Maior parte dos comentários deste género não me chegam sequer a fazer cócegas na ponta dos pés, tanto mais que no geral quem os profere ou não sabe do que fala ou não sabe pensar por si. Joaquim Letria insere-se nos que não sabe do que fala. No entanto, pelo que já deu a Portugal, merece ser refutado condignamente e não ignorado, merece ser apoiado e não seguido nas opiniões.

A geração j de que fala é realmente uma geração que nasceu em democracia, que não passou pelos problemas de ordem social, económica e política de outras épocas e que dispõe de todo um mundo de novas possibilidades e facilidades para triunfar - só aceito que alguém critique estas novas condições por inveja, uma vez que já não vivemos na época de Salazar. É também a geração que vai ser responsável por repor todo um país que a anterior geração conseguiu enfiar na cauda da Europa e fazer dele moderno e avançado. Se é inexperiente? Obviamente que sim, mas se tal acontece muito se fica a dever à falta de modelos de gestão a seguir ou à falta de um plano prévio.

A geração j não se formou em claques futebolísticas repletas de inergumenos. Raros elementos fazem parte desse tipo de associações. A geração j não arranja caldinhos em gabinetes de ministros ou secretários de estado. Muitíssimo poucos o fazem. A geração j é, na sua esmagadora maioria, constituída por jovens capazes e inovadores com novas ideias e ideais, não mais disposta a acatar com todo o tipo de injúrias permanentes e obstáculos que lhes são colocados sem dizer basta, preocupados em respeitar e enraizar os princípios da liberdade e da igualdade. A geração j lê (alguns mais que outros) e está informada sobre os seus direitos e deveres e não pode mais ser atropelada por ignorância. Se a geração j pouco aprendeu durante a sua formação escolar muito a vós o deve, incapazes de reestruturar a educação em Portugal.

Ao contrário do que maior parte das pessoas pensam nós - também me insiro nesta juventude - não somos perigosos ou sequer estamos a fazer cair valores da sociedade. O que estamos é a criar outros e isso está longe de ser prejudicial, é positivo e evolutivo e tem que ser no mínimo respeitado. A subida da cultura das pessoas faz com que usem os seus dois dedos de testa e não tenham obrigatoriamente de aceitar dogmas completamente obsoletos. A sociedade tem que andar para a frente e só com novos pensamentos somos capazes de o fazer. Desculpem-me homens da manutenção da ordem, mas para mim casar não é viável uma vez que sou ateu, para mim a família não me diz nada por aí além, tenho amigos homossexuais e rastafaris, tenho outra ideologia de vida. A questão da tropa é tão imbecil para uma pessoa como o Joaquim Letria que me escuso a comentá-la.

Obviamente que a geração j não é só rosas. É notória a subida da criminalidade, mas isso é um dos problemas inerentes às desigualdades existentes e à possibilidade de revolta dessas mesmas pessoas. Incomoda os ricos e novos-ricos, que tremem à pequena amostra de insatisfação e tentam reprimir o inconformismo na tentativa egoísta de manterem as suas pequenas fortunas. Alguma da geração j (pouca) é também individualista e pouco disposta a abrir mão de certos luxos. São os filhos de papás ricos e habituados ao luxo e ao conservadorismo. Mas felizmente a situação está a mudar tanto aqui como em todo e mundo e uma coisa é certa: nós somos mais, muitos mais, e a era do consumismo desmedida e sem regras ou respeito à de cair às nossas mãos. E não se esqueçam que vimos quase toda esta geração contra uma guerra ilegal.

Falta então pouco para conhecermos esta geração e o que de melhor e de irreverente ela tem. E que deixem as "mentes sujas" com as novas filosofias de vida tentar remendar o que vocês estiveram tão longe de conseguir.