quinta-feira, dezembro 23, 2004

Estou a olhar para o ecrã à cerca de meia hora e não me ocorre nada para vos dizer. Vagueio na net, encontro inúmeros balanços do ano e apercebo-me que não me lembro sequer do que comi ontem, quanto mais do que o que se passou em Janeiro. É engraçado que temos sempre uma tendência para avaliarmos o ano com base no que nos aconteceu nos últimos dois ou três meses, ou mesmo nos últimos quinze dias. Sendo assim tento sempre fazer dos derradeiros períodos os melhores, engano-me algumas vezes a mim próprio e penso que o ano que passou foi excelente e que o que aí vem só pode ser melhor. Na realidade não existe melhor ou pior, apenas diferente e apenas fases na vida de cada um. Não se pode viver sempre no topo, e não há mal que sempre dure. No geral tudo passa, não à de ser nada. Assusto-me com a velocidade com que os acontecimentos nos envolvem e como o que hoje é uma ambição amanhã é uma realidade, e como o que hoje é um medo amanhã é um facto. O governo caiu, o Porto fez o impensável e venceu a liga dos campeões, bush tem mais quatro anos à sua frente. Esperemos que passem rápido, como tudo. Um pouco de solidariedade nesta época, não porque é natal, mas porque às vezes é preciso parar e amar. Daqui a pouco vou acabar as compras de natal e imagino-me a correr pelo centro da cidade de sacos na mão, atarefado, no meio da multidão imperturbável. Estamos tão ocupados a viver que muitas vezes nem aproveitamos o que isso tem de bonito. Esta semana é diferente. Por uns tempos vou esquecer o que é a vida do lado de lá. Bom Natal para todos.