sexta-feira, janeiro 28, 2005

E de um dia para o outro...

o país tremeu de medo porque alguém se lembrou de dizer que íamos ter três dias de frio e o melhor era levarmos o aquecedor às costas. Hoje mesmo ouvi um jornalista perguntar a um transeunte se achava normal esta situação. Só entre nós, em Janeiro costuma fazer frio em Portugal, é uma estação a que gostamos de chamar Inverno. Isto só entre nós. Não digam que eu contei.

Ás vezes chateia-me o acaso da vida. Não sou nem conrolo. E simplesmente deixo-me ir.

terça-feira, janeiro 25, 2005


Que me importa agora
Se tu podias ou então
Apenas minha lágrima no chão
A escorrer pela calçada fora
A limpar a mágoa da alma
Sem saber se se calhar
Tu um dia e meu olhar
Juntos na mesma calma
De quem sente e estima
O que já em mim não mora


quinta-feira, janeiro 20, 2005



"Vem por aqui" – dizem-me alguns com olhos doces,
Estendendo-me os braços, e seguros
De que seria bom que eu os ouvisse
Quando me dizem: "vem por aqui!"
Eu olho os com olhos lassos,(Há nos meus olhos ironias e cansaços)
E cruzo os braços,
E nunca vou por ali...

A minha glória é esta:
Criar desumanidade!
Não acompanhar ninguém.
– Que eu vivo com o mesmo sem-vontade
Com que rasguei o ventre a minha Mãe.

Não, não vou por aí! Só vou por onde
Me levam meus próprios passos...

Se ao que busco saber nenhum de vós responde,
Porque me repetis: "Vem por aqui"?
Prefiro escorregar nos becos lamacentos,
Redemoinhar aos ventos,
Como farrapos, arrastar os pés sangrentos,
A ir por aí...

Se vim ao mundo, foi
Só para desflorar florestas virgens,
E desenhar meus próprios pés na areia inexplorada!
O mais que faço não vale nada.

Como, pois, sereis vós
Que me dareis impulsos, ferramentas e coragem
Para eu derrubar os meus obstáculos?
Corre nas vossas veias sangue velho dos avós.
E vós amais o que é fácil!
Eu amo o Longe e a Miragem,
Amo os abismos, as torrentes, os desertos...

Ide! Tendes estradas,
Tendes jardins, tendes canteiros,
Tendes pátrias, tendes tectos,
E tendes regras, e tratados, e filósofos, e sábios.
Eu tenho a minha Loucura!
Levanto-a como um facho, a arder na noite escura,
E sinto espuma, e sangue, e cânticos nos lábios...

Deus e o Diabo é que me guiam, mais ninguém.
Todos tiveram pai, todos tiveram mãe;
Mas eu, que nunca principio nem acabo,
Nasci do amor que há entre Deus e o Diabo.

Ah, que ninguém me dê piedosas intenções!
Ninguém me peça definições!
Ninguém me diga: "vem por aqui"!
A minha vida é um vendaval que se soltou.
É uma onda que se alevantou.
É um átomo a mais que se animou...
Não sei por onde vou,
Não sei para onde vou,
– Sei que não vou por aí!

José Régio
Hoje acordei, mijei, comi, a seguir cagei, dormi, comi, e fui para a cama. Life is good.


"There is a fifth dimension beyond that which is known to man. It is a dimension as vast as space and timeless as infinity. It is the middle ground between light and shadow, between science and superstition, and it lies between the pit of man´s fears and the summit of his knowledge. This is the dimension of imagination. It is an area we call the TWILIGHT ZONE."

terça-feira, janeiro 18, 2005

Tanta trovoada...


...e não há raio que o parta. Para além de ter a distinta lata de concorrer como deputado pelo círculo de Braga e ao mesmo tempo afirmar que não irá renunciar à Câmara de Gaia, ainda confunde o Minho com Trás-os-Montes, tão conhecedor é da região e dos seus problemas.

sábado, janeiro 15, 2005

Acordei com uma inexplicável vontade de...


Bom-Bom Island Resort
Morada: Bom Bom Island Resort C.P: 463, São Tomé e Príncipe.
Telefone: +239 12 51114 / 51141
Pág. Net: http://www.bom-bom.com

sexta-feira, janeiro 14, 2005

Sinceramente, estou-me bem a cagar para os devaneios apatetados e pontuais paragens do normal regulamento cerebral com que o Dr. Morais Sarmento nos tem brindado durante o tempo em que tem estado envolvido nos Governos Durão e Santana. Quero lá saber se fez pesca submarina em S. Tomé ou se jogou pólo aquático no Tibete. Quem o acuso fá-lo por oportunismo e demagogia pura e dura. Fossem os problemas da economia nacional os mergulhos desse pseudo-ministro e tudo estava bem. O que me chateia a mim é a falta de respeito que este tipo de atitudes demonstram por quem confia neste políticos para nos (des)governar. Começo a ficar farto de ver pessoas supostamente responsáveis esquivar-se às responsabilidades e fugir às questões que realmente interessam ao povo. Ao contrário do que podem pensar, não estão a dirigir-se a uma banda de idiotas chapados a quem podem aplicar o "politiquês" e evitar assim os incómodos. Chega mesmo a ser ridículo ver pessoas como Sócrates que à cerca de dois meses criticava o fim dos benefícios fiscais, inventar desculpas ridículas para não mexer nessas leis, só porque lhe cheira a poder. E o que dizer das promessas de Santana de baixar o IRC quando não o fez enquanto lá esteve. É no mínimo patético e estou só a referir casos mais importantes e mais flagrantes, pois pessoas com ligações entre o intestino grosso e a boca no panorama nacional é o que não falta. Está na altura de os governantes porem de lado os narizes engraçados e os sapatos 58 e começarem a apresentar propostas concretas que o povo possa discutir. É que ainda não ouvi nenhuma, mas se calhar é problema meu. Alguém ouviu?

Hoje...


..o tempo é meu e só meu. Não do meu Rolex, não universal, meu. Alargo-o e encolho-o, uso-o como quiser, porque hoje é meu e só meu.

quinta-feira, janeiro 13, 2005

Efeito Tsunami

Muitas vozes respeitadas no panorama intelectual nacional têm-se vindo a mostrar muitíssimo indignadas com a velocidade com que o tsunami que abalou a região asiática passou ao esquecimento, tornando-se mais uma página histórica longínqua nas mentes do povo. Embora concorde que o bombardeamento de informação a que somos sujeitos por parte da comunicação social, o que não se reflecte em qualidade, faça com que tenhamos as emoções controlados pelos sentidos, especialmente o visual que depressa esmorece, não posso de modo algum acusar ninguém de hipocrisia e falta de humanismo ou frieza. Estima-se que mais de 160 mil pessoas terão morrido naquela que foi a maior tragédia de que tenho memória. E apesar de tudo amanhã eu vou-me levantar e enfrentar mais um dia. E assim irão fazer também todos os que passaram por esta traumática experiência e que em muitos casos perderam familiares e todos os bens. O que quero dizer com isto é que não se pode pedir às pessoas que chorem e andem cabisbaixas até alguém sentir que já passou o tempo suficiente de luto sem se correr o risco de ser chamado de desumano. As catástrofes acontecem e nada se pode fazer senão ajudar os que ainda vivem, como muita gente sensibilizada tem vindo a fazer numa verdadeira onda de solidariedade para com as vítimas. Por esse prisma muita mal andava o mundo se as pessoas não conseguissem estar preparadas para aceitar as injustiças que muitas vezes nos proporciona. Não é o esquecimento que é rápido, mas os acontecimentos. Não vou estar com hipocrisias, eu não fui dos que chorei a morte daquela gente uma a uma. E acho que ninguém o fez. Mas por muito que viva não esquecerei os dias em que a contagem dos mortas subia de forma imparável. A própria distância a que as coisas se desenrolaram provoca uma sensação de que tudo aconteceu noutra realidade que não a nossa, longe da segurança da nossa casa. Obviamente que me impressionou imenso a dimensão dos danos humanos causados, e especialmente dos sobreviventes que persistem naquelas zonas sem famílias e em condições precárias, mas pelo bem da minha saúde mental não me peçam para recordar a catástrofe a todo o momento. Vamos esquecer um bocado o criticar por criticar, o afastamento das pessoas é natural e salutar e tem que se aceitar que o ser humano quando nada mais pode fazer apenas pode prosseguir.



Ainda agora o novo ano começou e já o velho pessimismo anda pelo ar, mais contagioso do que qualquer gripe própria desta época invernal. É o Sócrates que não parece ser solução para coisa nenhuma, é o governo com ministros demissionários ao cubo, é o homicida que se evade, é o Benfica que não ganha, são os impostos que aumentam, é o desemprego, é o frio, é a chuva ou a falta dela, é o marasmo imaginativo e criativo, e um rol interminável de desgraças que quem estiver interessado pode ver na TVI todos os dias às 20h. Mas, talvez por ainda só irmos no décimo terceiro dia de 2005, não me apetece aturar com as idiossincrasias negativistas da percentagem da população que considera um bom dia aquele em que chegam ao fim ainda vivos. Eu estou aqui para viver, não para sobreviver. No fim de contas Sócrates não à de ser pior que Santana, todos os dias que passam é menos um dia que bush estará à frente dos destinos do mundo e o Seinfeld tem 180 episódios e ainda só foram transmitidos cerca de 30. Nem tudo é mau. E se, só de vez em quando, tentássemos destacar aquilo que é bom em vez daquilo que é mau? Se bem o pensei melhor o fiz e vou dar o exemplo. Mesmo dentro da programação absolutamente intragável que a TVI nos apresenta é possível encontrar algo de bom. E neste caso bom é o mínimo que se pode dizer. Encurralada dentro da novela "Morangos com açúcar" e a borrifá-la com pinceladas angelicais está aquela que muito subjectivamente posso considerar a mulher mais bonita que por estes dias pisa território luso, Rita Pereira - não a mais bonita, a segunda mais bonita, mas infelizmente não tenho fotos da minha colega que me acha simplesmente um bom amigo. Com a particularidade de estar a concluir o curso de Comunicação social, tal como eu. Desconheço de onde surgiu tal anjo, ou se de lá cairão mais, mas o que realmente importa aqui é destacar o óptimo dentro do péssimo. Vamos meter mãos à obra e fazer do pior o melhor, trabalhar e ajudar a fazer de Portugal e do mundo um sítio melhor e mais justo.



P.S.: O exemplo é dado no feminino porque não me encontro numa posição privilegiada para tecer uma opinião sobre a beleza masculina em Portugal e não devido a um machismo primitivo ou a estereótipos obsoletos. Sendo assim é com prazer que me comprometo a apresentar um exemplo de beleza masculina se alguma leitora se der ao trabalho de dar sugestões, que irei acatar sem discussão.

quarta-feira, janeiro 12, 2005


"I wish sometimes I wasn't as conscientious as I am."

Parece que algumas pessoas não nascem neste mundo, apenas caem nele. E nalguns casos são maiores que a vida, e deixam-se levar. River Phoenix é um dos que não tinha espaço por cá, só porque era demasiado grande.